"PARA REFLETIR" PROGRESSO OU INDIFERENÇA
- 08/03/2026
"PARA REFLETIR"
A pergunta de um milhão: por que a população nem sempre mantém governos que transformam a periferia?
A região do M’Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, é um exemplo claro de como políticas públicas e investimentos estruturais podem mudar a vida de milhares de pessoas. Ao longo das últimas décadas, diferentes administrações municipais realizaram obras e implantaram equipamentos públicos que transformaram profundamente o cotidiano da população.
Durante os governos de Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad, a região recebeu investimentos importantes em mobilidade urbana, saúde, educação, urbanização e áreas de lazer.
Entre as principais obras estão melhorias e duplicações da Avenida Guarapiranga e da Estrada do M'Boi Mirim até o Jardim Ranieri, além da implantação de corredores de ônibus que ampliaram o acesso ao transporte público.
Também foram criados terminais de ônibus importantes para a integração do transporte coletivo, facilitando o deslocamento de milhares de moradores da zona sul para outras regiões da cidade e reduzindo o tempo de viagem da população trabalhadora.
Na área da saúde, houve um grande reforço na rede pública com a implantação de hospitais e unidades de atendimento. Destacam-se o Hospital do Campo Limpo e o Hospital Municipal M'Boi Mirim, além da ampliação da rede básica com Unidades Básicas de Saúde (UBS), AMAs e UPAs, garantindo mais acesso da população aos serviços de saúde.
A educação também recebeu investimentos importantes com a criação de Centros Educacionais Unificados (CEUs), que passaram a oferecer ensino, cultura, esporte e lazer para milhares de jovens e crianças da periferia.
Outro avanço significativo foi a criação de áreas de lazer e preservação ambiental. Parques municipais foram implantados na região, ampliando os espaços de convivência e qualidade de vida para os moradores, como o Parque Guarapiranga e o Parque M'Boi Mirim, hoje frequentados por famílias, esportistas e jovens.
Um marco importante para a comunidade também foi a compra do antigo Clube dos Funcionários Públicos, transformado em espaço público voltado à população do Jardim Vera Cruz e bairros da região. A iniciativa ampliou o acesso ao lazer, esporte e convivência comunitária para milhares de moradores da zona sul.
Além disso, políticas habitacionais e projetos construídos em sistema de mutirão ajudaram a organizar bairros inteiros e garantir moradia para muitas famílias da região.
Essas ações tiveram impacto direto no desenvolvimento da periferia e melhoraram significativamente a qualidade de vida da população.
Diante desse histórico, surge uma pergunta recorrente entre moradores e lideranças comunitárias: por que, muitas vezes, governos responsáveis por transformações estruturais não são mantidos pela população nas eleições seguintes?
Em muitos casos, novos governos assumem sem dar continuidade a projetos importantes ou sem apresentar avanços significativos para as comunidades. Com isso, regiões inteiras passam anos sem novos investimentos ou melhorias estruturais.
Outro fator que também contribui para esse cenário é o baixo nível de participação de parte da população no processo eleitoral. Ainda é comum ver pessoas que, no dia da eleição, preferem viajar, ir à praia ou simplesmente justificar o voto, deixando de exercer um dos atos mais importantes da cidadania: escolher quem vai governar a cidade.
Quando uma parcela significativa da população deixa de participar da escolha dos seus representantes, abre-se espaço para que decisões importantes sejam tomadas por uma minoria. Isso acaba impactando diretamente o futuro das comunidades, que muitas vezes deixam de avançar justamente por falta de participação popular.
Especialistas apontam diversos fatores para explicar esse fenômeno: o desgaste natural de governos, a influência de campanhas eleitorais, a desinformação política e, principalmente, a descrença de parte da população na política.
É comum ouvir nas comunidades uma frase que resume esse sentimento:
"Eu gosto de governos que melhoram a região, mas não voto em ninguém."
Essa postura, no entanto, acaba tendo consequências diretas para a própria comunidade. Quando parte da população deixa de participar do processo eleitoral ou vota sem considerar o histórico de realizações, projetos importantes podem ser interrompidos e avanços conquistados ao longo de anos podem perder continuidade.
Para muitos moradores da zona sul, a expectativa é que cada novo governo não apenas mantenha as conquistas existentes, mas avance ainda mais, ampliando investimentos e garantindo que a periferia continue recebendo a atenção necessária.
A experiência da região do M’Boi Mirim mostra que políticas públicas consistentes podem transformar territórios historicamente esquecidos. A grande questão que permanece é como fortalecer a participação e a consciência política da população para que essas transformações tenham continuidade.
A resposta pode definir o futuro de muitas comunidades da periferia de São Paulo.
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